Noite de Rímas

Quem diria.
Ontem era eu quem chorava,
Hoje sou eu quem riria.

Minhas farras acabavam de manhã.
Minha sorte ao meio dia.


De fato, tudo parece ter mudado.
Meu destino é sempre quem me guia.

Ainda lembro de coisas.
Coisas passando por debaixo do pneu do carro,
Coisas passando por uma cabeça que gira.


Hoje me contento quando acaba o expediente,
Hoje me contento com o fim do dia.

De repente era eu quem sonhava,
De repente era eu quem mentia.

A vida se tornou mais fácil.
À noite deito com meu notebook
Longe das linhas que tremiam.

Antes era eu quem dançava,
Hoje sou eu quem nessa noite dormia.

Até quando esse doce sonho me levará?
Ate o fim de sexta-feira, de tardizinha?

Aí vou poder me contentar
Com mais uma noite que se inicia.
 

Que mundão Oco!


Olho para todos os lados, 360°,
vastidão.
Em pensar que tudo isso é oco...

Vejo as pessoas, passos apressados,
sorrisos convenientes, bom dias ensaiados.
Automático.
Em pensar que tudo isso é oco...

Chego ao trabalho,
falo com pessoas impessoais.
Trato de assuntos profissionais.
Nada de gestos significativos.
Nada de gestos individuais.

Aprendemos em curso como pegar xícaras de formas padronizadas.
Vestimo-nos de formas consensuais.
Em pensar que tudo isso é oco...

Olhos distantes,
cada um procurando um ponto fixo que muda de lugar.
Ser diferente diz uma coisa.
Mas se sou igual, eu não digo nada.

Silêncio.
Eu não digo mais nada.
Em pensar que tudo isso...
É oco.

 

Momento de Aceitação


Meu nome é Márisson, mas quase todo mundo me chama de Adriano.
Meu primeiro nome é muito complicado e de difícil lembrança.

Tenho 22 anos, mas tenho cara de 25. Tem gente que me dá 26.
Às vezes tenho papo de 12, às vezes papo de 50. Meio termo; pareço ter 25 mesmo.

Gosto de comer besteira. Adoro chocolate, biscoitos e café.
Não gosto muito de refrigerante, detesto chá. Prefiro iogurte.
Bebo. Às vezes fico bêbado. Parei mais com isso.

Conheço alguns restaurantes caros,

mas se eu tiver entrado e consumido em mais de dois isso foge à minha lembrança.

Acho que não saberia comer uma lagosta se eu me propusesse a isso.

Eu não comeria Caviar. É feio.
Gosto de talheres, mas me limito a dois. Pra mim é o suficiente.

Sempre estou de meias quando uso sapatos ou tênis.
Odeio aquelas soquetes. Acho ridículo.
Tenho dois pares, nunca uso.

Tenho uma boa eloqüência com as palavras, mas às vezes me confundo quanto à crase.
É... Nesse caso é com crase mesmo.
Eu poderia me propor reler uma gramática, mas tenho preguiça.

Ah! Tenho preguiça!
Às vezes dói. Às vezes morro.
Às vezes finjo que não estou com preguiça, que é só meio jeito descolado de ser alternativo.

Cara, eu não sou alternativo.
Acho massa quem é.

Esqueço de tudo!
Uma vez morri de procurar uma borracha que estava na minha mão.
Mas... isso não é só esquecimento. Ou é?
Não sei. Prefiro não saber das coisas quando isso me convém.

Nunca minto.
Às vezes escondo. Às vezes não conto. Às vezes não sou.
Mas não é mentira. Detesto mentira.

Sou destro. Queria escrever com as duas.
Tem gente que se achava o máximo porque escrevia com as duas... na 4ª série.
Hoje não serve pra porra nenhuma. Mas eu queria.

Eu queria ser mais rico, mas fico pedindo o Uno Mile do meu pai emprestado.
Tenho roupa que é mais cara do que eu poderia comprar. Mas são poucas peças.
Controlo o meu dinheiro, mas sempre fico muito liso quando é fim do mês.
Acho que o problema é que tem muitos dias num mês.

Mas eu queria ser mais rico.

Eu queria ser mais simples, mas sou gente.
E você, quem é?
 

Fantasia Dinâmica


“O principio dinâmico da

fantasia é brincar.”


A brincadeira às vezes acaba por desencadear sentimentos e ações provocadas quase sem querer. Abstendo-me do lado saudável da coisa, como um golpe do destino “o feitiço pode virar contra o feiticeiro”, “a bala pode sair pela culatra” ou, como também posso dizer, “provaria do meu próprio veneno” – Nossa, eu detesto frases feitas!

A questão é que sempre que criamos uma situação lúdica, criamo-nas. Tornamo-as aspectos consideráveis – mesmo que considerados indignos de apreço – viventes em nossa realidade, fazendo parte dos nossos planos, pensamentos. Basta pensar, logo existe.
Então fantasiar nada mais é do que brincar, criando fatos, construindo fundamentos, justificando o que provavelmente não possui bases.

Que poder, não?

Mas tem muita gente presa em fantasias... Presas por que foram enclausuradas num mundo fictício criado por outras pessoas, ou presas por livre e espontânea vontade - ou idiotice - na tentativa de “viver” num mundo diferente. Essas últimas são os piores tipos de CEGOS ou ILUDIDOS; aqueles que não querem ver que enganam a si mesmos.

Entretanto, não pare pra pensar muito nisso, afinal...
Isso é só uma brincadeira.