Atravessar-me-ei.


De quantas coisas nessas vida se pode ter uma certeza causticante, com aquela veemência de transbordar pelos poros? Não muitas, né? E isso não é medonho? Quer dizer... as vezes dói não se ter certas certezas. Principalmente sobre aquelas coisas que vêm do coração - ou de uma projeção, como queira dizer. 

Os sonhos sempre me foram bastante importantes. Eles criam e recriam sentimentos, momentos, situações, com uma força tão lúcida, tão verdadeira. Uma "certeza que era verdade". Mas nem era. Ou era? Se falarmos de momentos que já passamos, e gostaríamos de esquecer, não deixa de ser verdade. Uma re-verdade. Há a experiência novamente. A certeza causticante. 

Mas quando os sonhos nos projetam o vislumbre de algo que gostaríamos de alcançar... aí é muito bom. Mas é só um pedacinho de certeza. Não é certeza toda. Não aconteceu, e a possibilidade de não acontecer também é grande. Tenso, né, pensar assim? A certeza, neste caso, é que o sonho acaba e temos que atravessar o dia com ou sem ele.

Atravessar-me-ei pelos sonhos, então, mesmo sozinho, até o dia em que eu não acorde mais. 
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Nômades Digitais.



Tive o prazer de encontrar em meio as minhas peregrinações na internet um grupo autointitulado Nômades Digitais, que levantam uma bandeira - ou manifesto, como chamam - em prol de uma vida menos emoldurada pelos costumes defasados de nossa sociedade ainda muito omissa às particularidades de cada um.

Trata-se de afirmar que, sim, pode-se ter uma vida menos amarrada, menos cinza, menos dependente da concepção arcaica de Felicidade que somos bombardeados há gerações. Me refiro à máxima que rege que, para ser feliz e ter sucesso na vida, precisamos ter tudo dentro dos conformes sugeridos; um emprego fixo, ganhar relativamente bem, casar, ter filhos e viver esse Sonho (ou sono?) Americano da época da Revolução Industrial. Mostram, os Nômades Digitais, que com a chegada da internet e as ferramentas que elas podem fornecer aos empreendedores contemporâneos, que uma forma de trabalho muito além do que imaginamos está surgindo ao horizonte.

Que todos nós já sabemos que, sim, podemos mudar de emprego quando não estamos felizes nele, já sabemos. Pode ser mais complicado para alguns, menos complicado para outros, mas sabemos que é possível. O que muitos não fazem ideia, ou talvez não tenham muitos exemplos para contar é sobre esta forma extremamente alternativa, moderna, iconoclasta de que prestar serviços aqui e morar na China é bem mais fácil e possível do que imaginamos. E mais do que isso, de não estarmos presos a somente um local (escritório, estado, país!), termos a possibilidade de "montarmos" nosso próprio escritório em qualquer lugar, desde um café em Buenos Aires ou até à beira de um lago em Chiang Mai na Tailândia é uma proposta possível, e financeiramente viável se houver o planejamento necessário (e o desprendimento pessoal de certos conceitos) para tal. 

Enfim. O site dos caras é um achado que também quero constar aqui. Inúmeros são os textos inspiradores, sobre mudanças de concepção, da forma como se vê o exercício profissional, a quebra de paradigmas e a coragem que muitos deles (Nômades) contribuem em relatos para o site é uma coisa de encher o espírito. Ao final do longo texto, mesmo que não faça parte dos meus planos abdicar de tudo aqui e me jogar no meio do mundo, termino-o me sentindo menos sozinho com meus pensamentos e sofrimento que vinham da sensação estar vivendo uma vida que não era a que eu queria. 

Tem mais gente quebrando conceitos.
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Papéis Assinados.


E assim, se concretiza mais um passo.
Inscrição feita na Universidade, as cadeiras escolhidas e o calendário montado. Muita força, leitura e visão!
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Novo Degrau.


Primeiro dia no novo emprego. Uma situação totalmente diferente, fui convidado a fazer parte de uma sociedade em uma empresa já madura, outrora minha fornecedora em tantas situações (eventos), uma pessoa que estimo muito pela força, determinação e exigência. Concordamos muito em diversos pontos; ao sermos parecidos em níveis de exigência, em pro-atividade, em detalhes, e ao sermos, também, extremamente diferentes na forma de se relacionar com o outro. Isso, confesso, pode ser um ponto tenso em uma sociedade, mas sempre conversamos sobre esse assunto e acreditamos que, por isso, poderíamos ser muito bons juntos. 

A proposta é trazer vida à identidade institucional da empresa, renovar marca e melhorar sua participação no mercado frente à concorrência. Inclui-se aí uma nova proposta para suas redes sociais, site, papelaria, e até a cara da marca. Eu chegaria para mudar. Acho que estou, mesmo, com essa vibe.

Uma segunda parte da proposta será lidar com as pessoas e processos da empresa. Devido a minha vasta experiência em grandes empresas, minha então sócia vê, em mim, essa oportunidade de amadurecimento de seus processos internos, e de um canal com os colaboradores que seja mais humano, mais fluido, mais presente. Bom, fiquei lisonjeado pela confiança que ela demonstrou. E entendi seus motivos. Admiro, por demais, a força que ele teve até agora em dirigir uma empresa - mesmo de porte médio -, sozinha, e com tantas atribuições (segmento demasiadamente dinâmico, este, o de Organização de Eventos), e tendo que lidar com suas colaboradoras, rotatividade, falta de pro-atividade e compromisso da equipe. 

Essa "força", talvez, tenha se estabelecido de forma a criar uma certa rigidez com relação aos processos internos, ao cuidado pessoal sobre a equipe, sobre os funcionários. É a intolerância da excelência. É o "se não consegue fazer, vou lá e faço". E nisso, absorveu-se atribuições/funções/tarefas de outros que limitam a sua, inevitavelmente limitando ou estagnando o crescimento da empresa. Por isso a figura do novo sócio, do olhar para a empresa (marketing) e para os processos internos.

Quem sabe um primeiro laboratório para novos conhecimentos adquiridos pela nova graduação? Quem sabe. Novo degrau.
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Travessia.

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
 (Fernando Teixeira de Andrade)

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Em meu primeiro texto, Descortinar, falo de atravessar a cortina que nos esconde o que temos além disso aqui. De redescobrimo-nos. Sou formado em Marketing, por birra, e atuante ativo - ainda - desse mercado de trabalho. Mas após algum tempo de desconfortos, frustrações e necessariamente com a ficha caída de que não é nesta área que quero envelhecer e/ou passar mais tempo, descortinei a Psicologia. 

Diversas foram as áreas que pesquisei antes de decidir pelo Estudo da Alma (tradução literal do termo psico-logia), como falei no post Zona de Conforto. Aqui eu quero falar da travessia, em si. Sim. Com o aviso prévio oficialmente declarado, deixo a empresa onde trabalho daqui a exatamente 24 dias. Um novo salto. Sem entrar em detalhes sobre a experiência que passei na empresa em questão, e apesar de minha saída ser motivada por um convite de sociedade que me deixará mais confortável, sinto que é um tempo de travessia, quando dei um passo mais importante sobre meu futuro, sobre minha decisão. 

Quando falo de decisão, não falo só sobre a nova graduação. Falo sobre minha decisão de abandonar essas roupas usadas, esquecer aos poucos alguns dos caminhos que sempre me levam aos mesmos lugares, e preparar uma nova estrada rumo ao novo. Essa nova experiência, por exemplo, me dá novos insumos e desafios a serem trabalhos, além de criar um ambiente favorável para o estudo dessa nova ciência. Já dei processo processo de entrada na Universidade de Fortaleza como candidato graduado ao curso de Psicologia, e tudo deu certo. Agora é só esperar findas os 29 dias de aviso prévio para findar um ciclo, junto com a Copa, e recomeçar em julho em uma nova etapa profissional junto ao período de escolha de cadeiras. 


Já namoro com a grade de cadeiras faz alguns meses, e isso me deixa cada vez mais empolgado. São tempos de Travessias e Agradecimentos.
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