Continue Curioso.

Zanzando pela internet, absorvendo todo tipo de conteúdo que mencionasse mudanças de hábitos, carreira, segmento de trabalho e até visão sobre a vida, descobri diversos blogs e canais que me ajudaram bastante nessa nova-nova-fase

Um desses canais, o primeiro que me atravessou como uma lança, foi o ContinueCurioso. De extremo bom gosto, um projeto lindo e tão bem feito, proposta irresistível para mim. Fiquei realmente encantado pela proposta dos criadores, e quero deixar aqui o meu MUITO OBRIGADO. Acho que falo por tantos que se identificaram em seus videos e casos inspiradores. Abaixo, ponho o vídeo que me encheu os olhos e o coração:


O quão é importante vermos, de fato, que sair de um padrão é realmente possível. O padrão que nos poda, nos compacta, nos limita e fere. É libertador, e potencializador. Posto, então, aqui esse achado. 

Site: www.continuecurioso.cc
Canal do Youtube: www.youtube.com/continuecurioso
 

Zona de Conforto.

Sempre achei que tudo aquilo que nos tira do centro, desestabiliza, que nos tira de nossa zona de conforto poderia ser um momento raro para observarmos o que somos capazes de realizar, o quão forte somos ou o poder que temos de surpreender a nós mesmos.

Continuando com os escritos sobre minha escolha por mudar de segmento profissional, saindo do Marketing e indo para a Psicologia, lembro-me que minha zona de conforto há muito não é mais vista! Posso dizer que há uns 2 ou 3 anos, no meio da graduação em Marketing e com uma vasta bagagem profissional, senti-me acordar no meio da viagem percebendo que não é mais a aquele destino que eu queria para mim. Mesmo não entendendo esse sentimento de angústia com uma pitada de desespero, fui sendo empurrado aos poucos para fora da minha zona de conforto.

No primeiro momento, houve a negação. Tentei por diversas vezes abstrair-me da desconfiança de que, pela vibração do meu corpo, o destino para o qual fui trabalhando-me não era mais o destino que minha alma queria, e que reclamava a cada oportunidade. O stress me abatera como um dardo envenenado, e mesmo com atividades e hábitos saudáveis e ditos como desestressantes, tudo se tornava paliativo ao passo  que minhas reflexões me colocavam em cheque sobre meu real desejo de continuar nesta função. Com o passar dos meses, fui me perguntando quais seriam os reais problemas que estavam fazendo afastar-me do caminho traçado.

Acho que todos que já passaram por esta situação, alguma vez, se perguntaram: O problema é o salário? Não. O problema era o cargo? Não. O problema era o plano de carreira? Não! Então o que diabos estava acontecendo? A resposta veio aos poucos: Eu havia perdido o interesse de trabalhar no segmento do Marketing, e direcionar toda minha capacidade para criar estímulos, desejos e necessidades de compra em pessoas que não necessariamente precisariam (ou deveriam) adquirir tal produto ou serviço. Desencantei-me com a forma como esta ciência é aplicada no mercado, e espantei-me com o pseudo legado que eu haveria de deixar para a posteridade se continuasse neste esquema. É isso. Eu havia tomado a pílula vermelha e não havia mais volta. 


Depois veio a conformação. Aceitar que eu deveria mudar, de novo, mas dessa vez com uma intensidade maior como nunca eu havia feito, talvez, até aquele momento. Não era fácil trocar de segmento, onde você já tinha criado raízes profundas (network, carreira, certo nível de salário e estabilidade). Mas era isso ou sentir-me vazio e incompleto em troca desses tópicos que citei nos parênteses. Permiti-me, então, a sair do emprego mais estável e me jogar em férias de autoconhecimento! O salto. 

Não, não fui comer-rezar-e-amar em uma tour pelo mundo, mas permiti-me alguns excessos como estes também, mas mais ainda o excesso de dar-me este tempo. Limpar minha personalidade influenciada pela prática de até então. Permiti-me fazer um curso de Teatro, dancei Tango, voltei a cantar em Coral, engajar-me em peças musicais,  e pesquisar como um novo eu seria, sendo do jeito que eu queria. Pus-me a avaliar novas formas e caminhos, estabelecer critérios que me ajudassem a visualizar o que eu realmente gostaria de desempenhar; para mim, e para o mundo onde vivo. Foi bastante difícil, tendo em mente que eu não tinha a mínima ideia do que eu poderia fazer além de Comunicação Publicitária, profissionalmente. 

"Conhece-te a ti mesmo" foi a lei. O que havia em mim que pudesse me apontar por onde eu deveria seguir? Em meus hobbies, em minhas concepções de felicidade e de qualidade de vida deveria haver algum indício que poderia me dizer como começar a construir uma nova projeção de mim mesmo em meu ofício. Por que era tão difícil respondermos a tais questões, aparentemente tão simples? Porque, na verdade, eu nunca precisei fazer essas perguntas a mim mesmo. Tive a sensação de que eu havia sido programado, sim, para viver em linha reta, sem curvas ou contratempos. Nunca precisei olhar para o lado até este momento. Como um padrão que se gruda à retina e nos condiciona a replicar histórias, gerações, e agora meu corpo vibrava em outra sintonia, e eu precisava entendê-la. 

Sobre a pesquisa que fiz, junto à uma boa Terapeuta, procurei começar pelas áreas que eu achava mais interessantes. Aspirações, projeções, superfície de outros ofícios que eu conhecia. Mas foi por aí que comecei meus experimentos; Gastronomia, Arquitetura, Teatro, Psicologia e até Astronomia! Meu Deus! Eu sou um poço de curiosidades! Foi quando tirei à prova do quão denso sou. Tive um trabalhão para pautar todos os assuntos que eu queria conhecer, ao menos mais do que eu já conhecia. Eram muitos mundos diferentes entre si, e eu me reconhecia um pouco em cada um deles. O experimento de procurar profissionais atuantes desses mercados, saber mais de suas rotinas e exercícios me mostrou os parâmetros desconhecidos que eu  tanto procurava, e cortei boa parte da lista. Alguns dessas ciências ainda perduram na lista, mas agora como hobbies paralelos à escolha que fiz para minha próxima graduação, posto que reconheci na Psicologia a melhor agenciadora para minha viagem por tantos mundos.
 

Descortinar.


v.t. Correr a cortina, para mostrar ou patentear. Distinguir, notar, descobrir, enxergar. Revelar, mostrar. Avistar ou descobrir ao longe. Abrir clareiras em (mata ou floresta).

Sinônimos de Descortinar: 
avistar, descobrir, distinguir, enxergar, notar e patentear.

Definição de Descortinar:
Classe gramatical: verbo transitivo direto.
Tipo do verbo descortinar: regular.
Separação das sílabas: des-cor-ti-nar.

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Descortinar a si mesmo é, ao meu ver, um processo perene para aqueles que se propõem. Descortinamo-nos várias vezes ao longo da vida, penso eu. Mudamos. Mas poucos têm a capacidade de permitir-se descortinar, e um número menor ainda de pessoas possui a força necessária para atravessar os limites destas cortinas. De tentar, se jogar. Saltar por através delas.

Não digo que aqueles que o fazem são mais corajosos, apesar de que essa prática exige certo punhado de coragem em determinado momento. Talvez o que me impulsione no atravessar das cortinas que descortino seja o medo de ficar. "Ficar à margem de mim mesmo". Corajoso, fugitivo ou covarde? Prefiro pensar em "descortinador" e deixar os outros rótulos falarem por si mesmo, depois, ou para outrem. Meio que não me interessam tanto. 

Começo este blog para marcar e me acompanhar em mais uma nova jornada; finalmente decidi começar uma segunda graduação. Depois de alguns anos de indefinição, experimentações, pesquisas e terapia, decido pela Psicologia como agenciadora dessa nova fase. É um processo de redefinição do meu eu profissional que respinga, ou é respingado, e muito, na/pela minha concepção do meu eu pessoal, descortinando novos mundos uma vez que não mais consigo ser atravessado pelo atual.

Não tenho a pretensão e nem o objetivo de conseguir leitores aqui. Nem comentários, compartilhamentos, engajamento social-digital. Elementos que são tão relevantes para a blogosfera e demais redes sociais - e digo isso como profissional formado em Marketing, enjoado com os valores que inflamam essas novas mídias. Na verdade, este blog servirá como um diário de bordo. Como algo feito mais para minha própria documentação do que para qualquer outro fim. Entretanto, se vier a servir aos interessados no caminhar de quem está começando em psicologia, ou mesmo servir àqueles querendo trocar de segmento profissional, como tantos outros blogs me serviram para tal, sejam bem-vindos.

Obs.: Post escrito em Julho/14 e programado para inserção em Março/14 na tentativa de obedecer à cronologia dos fatos da forma mais fiel possível. Inicialmente, este blog tinha a finalidade de somente receber meus textos de questões mais pessoais, antes exibidos e outro site, na tentativa de separá-los do antigo canal de uma proposta mais diversa.